TODO DIA ...É 1 TEXTO NOVO!!!

31 de ago de 2012

2 CARAS MANDADOS DE BOM!!

  essse de cima é o Ramiro ...bom mc e bom ator!!
 este  ai de baixo é o beat maker mais produtivo do rio de janeiro!! 99% do rap carioca de verdade (e rap mermo!!) passou , passa ou passará pelas mãos dele!!

30 de ago de 2012

PIPA!!

Não dá pra soltar pipa sozinho e se tem uma imagem que é triste é o tal soltar pipa no ventilador... Isso porque ela é potente metáfora pra sentimentos muito intensos que habitam o coração humano desde muito tempo. A graça da pipa é que ela é uma brincadeira coletiva, de bonde, e ainda sim preservando uma importante sensação de individualidade na condução da linha, no dibicar. Igualzinho ao Cinema que a gente acredita. E juntando gente nova e gente mais velha, menino e menina – incluindo sempre.

Tudo bem que hoje quase ninguém faz mais sua própria pipa - compra-se pronta - mas ainda há um quê de artesanato nela também. Igualzinho ao Cinema que a gente acredita. 

A pipa precisa da natureza pra exercer sua afirmação - no ar ela tem o seu próprio jeito de seguir o desenho do ar; e precisa da cultura, do conhecimento partilhado. 

O vento e o encontro.

A pipa precisa da deriva, um certo espaço pra imprecisão, aquele necessário toque de descontrole que talvez seja a função da arte, mas que certamente faz bem como recado de que a Vida não é apenas a razão mecanicista. Eita.

Mas o mais revelador do ato de soltar pipa é lembrança do sentimento de liberdade que está em todos nós e está na busca por um Cinema livre e libertador - mesmo quando não se tem essa ideia conscientemente. Fazer um filme, fazer uma sessão cineclubista, viver prazerosamente, tem muito a ver com chamar os amigos pra curtir uma pipa, sentir o vento na cara, rir solto, esgarçar o tempo, esse tempo em que a Máquina capitalista insiste em nos cobrar como fatura.

E assim o Mate Com Angu, o cerol fininho da Baixada, chega aos 10 anos de aventuras. Hoje a linha chinesa domina o mercado, mas os carretéis comprados nos armarinhos da vida eram o dezão e o dezinho... 10. Dez soltando pipa, fazendo amigos e provocando muito.

E é bom que vendo nossa cidade hoje dá pra sentir em todos os cantos surgirem novos ares frescos, desafiando a aridez de uma terra marcada pela violência do coronelismo, da corrupção e da alto estima massacrada por décadas. E isso é alentador também.

Que o Audiovisual siga ajudando esse processo de libertação na Baixada Fluminense e em todos os cantos de todo esse país imenso e desigual. A cabeça tem que ser uma pipa que avoa!

E hoje é dia de festa. Inspire-se na pipa e dance livre pelo céu, mesmo que o seu cabresto insista em lhe conduzir... Vale lembrar que cruzar é uma possibilidade sempre bacana e toda pipa avoada tem sempre o risco de ser aparada – e quem sabe essa não pode ser uma boa pra hoje, hein? 

HB!!

29 de ago de 2012

10 anos não são 10 dias!!

Hj a emoção toma conta ...dia da catarse sem cartaz, dia de fazer lenda em vez de ver fazenda!! dia de mate sem remédio ou mate seu tédio ...afinal , comer e viajar ainda são as 4 melhores coisas do mundo!!! é o mate com angu sem caroço e sem kao que chega abalando mais que tremor nervoso de quem teme ser de verdade!! 10 anos !!! é um luxo!!

28 de ago de 2012

moda!

na sala baden powell
1ª AÇÃO – À moda Powell
02/09/12, 18h

Descrição: desfile com modelos do projeto Visões do Morro vestindo a grife Di Negro Arte Urbana.
Nuances e performances: o DJ sampleia músicas de “Baden Powel” mixando com as tendências de ritmos urbanos. Durante a passarela, rappers, poetas e dançarinos ocupam o espaço criando interferências, acrescidas de imagens do fotógrafo Carlos Júnior, projetadas como cenário.
Convidados: DJ Machintal, MC Slow, Carlos Jr, b.boys Pluto, Caléo, Gigante e Arcanjo.

26 de ago de 2012

PAISAGEM QUE FALA!!


Uma paisagem que falou bem alto comigo: 
" Hei!!!! Estou aqui"

Eu , MC e quase poeta nada pude fazer, pois os meus olhos se quedaram ao chão e o motorista não tinha olhos para a paisagem .
Diante da agonia cotidiana, sentei-me com minha criação e com minha criatura a espantar mosquitos do coração...

Dores... A falta do ar me deixa deprimido, de uma agonia caótica e tranquila...
Sei que estou doente, mas meu desejo é o esquecimento puro.
Coisas que são inomináveis me agradam mais...
Palavras não ditas no escuro me agradam mais...

O poeta está sumindo, dentro de uma faixa de luz seletiva...
Para morte ao infinito e além...
No caos e na semente dos asfaltos em branco de uma manhã em cinzas.
Um quase poeta.





Penso você nessa manhã...
Queria você aqui! Enrolada em minha pele...
Ainda penso poesia em fazer você
Você aqui, calada,na areia da praia!

Penso você com a cabeça recostada em dunas
E com peixes dourados a ladrilhar a porta do Ônibus...
Penso você no cheiro do dia, da noite, do encanto e do som que sai da tua boca...

Penso na dor do suor da tua carne , na minha carne intensa de pigmentos ...
Penso, nas unhas que expõe tudo que é mais belo e distante...
Não penso em você, para poder pensar que estou podendo pensar voçe em mim...

Sem estar, estando...
Sufocando aquilo que não quer sufocar...
Teus lábios enfim para o derradeiro fim...
Partindo, sem partir!!!!

25 de ago de 2012

24 de ago de 2012

METADE !!

Queria ser metade Neal Cassady e metade Dean  Moriarty
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“Woe onto those who spit on the Beat Generation.
The wind’ll blow it back.” – Jack Kerouac


As circunstancias que existem sobre o processo de nascimento de Neal Cassady são extremamentes misteriosas e muito contraditoria de acordo com alguns biografos e escritores que se deixam levar pela imaginação de um ser complexo como Neal Cassady. Até as historias contadas pela familia, juntamente com papeis oficiais do nascimento são contraditorias pela quantidade de alterações já sofridas.
“I alone, as the sharer of their way of life, presented a replica of childhood.” – Neal Cassady

De fato, como Kerouac e outros escritores Beats escreveram em seus livros, Neal Cassady nasceu em Salt Lake City, Utha, mas apartir dos dois anos de idade foi morar em Denver, onde passou parte de sua infancia. A versão romantica que Neal deu a Kerouac sobre seu nascimento foi que ele nasceu no banco traseiro de um carro na beira de uma estrada aos redores de Salt Lake City, fazendo o mito Dean Moriaty (Neal alter ego como heroi em On The Road).

Apenas em 1981 em uma publicação após a sua morte, da segunda versão extendida e revisada do “memoir” de Neals; The First Third (O Primeiro Terço). No prologo ele admite que sua mãe deu a luz a ele no L.D.S. Hospital em Salt Lake City, uma instuição hospitalar da “Church of Jesus Christ of Latter-day Saints”, Nos papeis oficiais do seu nascimento indentificam seus pais como; homem de 38 anos branco, Neal Cassady e mulher de 33 anos branca, Maude Jean Scheuer, de fato ele nasceu as 2:05 da manhã em 8 de fevereiro de 1926.

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A mãe de Neal morreu quando ele tinha apenas 10 anos, então ele foi criado por seu pai alcoolatra em Denver, Colorado, passando a maior parte do tempo em escolas reformatorias. Antes de chegar aos 20 anos Neal já tinha sido preso 3 vezes por roubo de carro, a primeira vez foi aos 14. Em junho de 1944 foi preso e sentenciado a 1 ano de prisão por ter roubado uma casa, cumpriu 11 meses. Em 1945, logo quando foi solto da prisão, Neal se casou com Carolyn Robinson em 1 de abril. Em outubro de 1947 se mudaram para New York, NY, onde ele conheceu Jack Kerouac e Allen Ginsberg na Columbia University.

“Cassady is revved up like they’ve never see him before, with his shirt off, a straw version of a cowboy hat on his head, bouncing up and down on the driver’s seat, shifting gears – doubledy-clutch, doubledy-clutch, blamming on the steering wheel and the gearshift box, rapping over the microphone rigged up by his seat like a manic tour guide, describing every car going by.” – Tom Wolfe

Mesmo sem fazer nenhum curso na faculdade, logo fez amizades com as figuras mais importantes do que viria a ser Beat Generation. Neal manteve duranta anos relações sexuais com Allen Ginsberg, onde foi contado pelo mesmo em uma entrevista em 1973 “Allen Ginsberg: the Gay Sunshine interview”.
Neal Cassady é um dos principais personagens nas maioria dos livros de Kerouac, citado em “On The Road” como Dean Moriaty e Cody Pomeray em outros livros. Ginsnberg descreve Neal no livro O Uivo (Howl) como “…o heroi secreto desses poemas…”, como tambem foi o cara que ajudou Kerouac e escrever de forma espontânia, fluxo contínuo da conciencia (stream of consciousness), estilo literario que foi utilizado pela primeira vez em “On The Road”.
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A ideia que se tinha da vida na epoca beat e ainda hoje é ser um exemplo, um modelo, ter um bom trabalho, ter muitas coisas, impressionar seus vizinhos, ter filhos e morrer. Pessoas normais não devem desviar-se de todas essas coisas pra colocar o pé na estrada em busca do nirvana. Foi preciso uma pessoa como Neal Cassady para poder dar a jovens americanos um bom senso que a vida poderia valer alguma coisa se eles estivesse acordados, de olhos abertos, explorando e experimentando.

Sua infancia foi entre vagabundos e alcoolatras, deixou parentes para tras pra viver em um predio condenado com seu pai. Os mesmos utilizavam Neal para mendigar durante o dia, para poderem beber a noite. Mesmo com uma infância tão conturbada, o garoto Neal desenvolveu carisma, bom humor, seu lado artistico e um leque de conhecimento. Com 21 anos de idade Neal dizia que já tinha roubado 500 carros e seduzido muitas mulheres, pelo menos com 12 anos ele já dormia com mulheres mais velhas para ter café pela manhã, dinheiro ou qualquer outra coisa.

“I became the unnatural son of a few score of beaten men.” – Neal Cassady

Mesmo com toda essa vida contraditoria e conturbada, na decada de 60 era conhecido como “The Fastest Man Alive” (O Homem Mais Rapido Vivo), ele não diminuiu o uso de drogas e sua dependencia com anfetaminas. Enquanto Kerouac estava caindo no alcoolismo e ficando cada vez mais longe de tudo, chegando ao ponto de viver em casa por meses. Neal Cassady se tornou a maior figura, heroi, musa e coisas do tipo para a nova geração de herois da contra cultura; Ken Kesey, Jerry Garcia, Thomas Wolf e outros.

Neal encontrou certa vez a copia do livro “Many Mansions” de Edgar Evans Cayce. Ele e sua esposa ficaram extremamente apaixonados pelos ensinamentos do “Profeta Adormecido”, de chegar ao ponto de tentar converter todos os seus amigos ou qualquer pessoa que batesse em sua porta.

“Edgar Evans Cayce (Hopkinsville, Kentucky, 18 de Março de 1877 — Virginia Beach, 3 de Janeiro de 1945) foi um clarividente norte-americano que teria canalizado respostas para questões que tratam sobre espiritualidade, imortalidade, reencarnação, saúde, dentre outras.

Cayce teria sido um dos maiores clarividentes da História. Era chamado pela mídia norte-americana como “O Profeta Adormecido”, porque predizia eventos futuros e prescrevia medicamentos com os olhos fechados, relaxado sobre um divã e ao lado de uma taquígrafa realizando as anotações, em um suposto estado de “transe”.

Entre algumas predições que teria realizado, estão a previsão do início e do fim dos conflitos da I e II Guerras Mundiais, o surgimento do Nazismo, os conflitos raciais dos EUA desde o início dos anos 20, as datas dos falecimentos de dois dos Presidentes dos EUA à época, a extinção da Liga da Nações (organização que antecedeu a ONU em princípios e objetivos), a Grande Depressão Econômica (1929-1934) dos EUA, o fim do comunismo na Rússia e o surgimento da China como grande potência econômica e cultural.

Entre as predições que não se realizaram, está a III Guerra Mundial, que surgiria do conflito entre a Líbia, Egito, na Síria e em regiões remotas na Indonésia, Golfo Pérsico e Austrália. Outros eventos como transformações do clima, geologia e geografia da Terra, como o aumento do nível dos oceanos, a volta à atividade de falhas sísmicas e vulcões, a submersão da Califórnia, o desaparecimento de Nova York, dentre outros, ainda estão por se confirmar parcial ou inteiramente. Na área da saúde, teria predito o aparecimento de doenças modernas, como stress, tensão arterial alterada e o aumento de doenças cardíacas. Além das profecias, realizou também um detalhado relato sobre o mítico continente da Atlântida.” – Wikipedia

Neal chegou a conhecer o filho de Edgar Cayce, Hugh Lynn Cayce, no qual explorou psiquicamente a vida passada de Neal, e seu suposto “carma”. De acordo com Hugh Lyn, uma das vidas passadas que mexia com a sua ultima encarnação foi o castramento por um crime de estupro. Na epoca, Hugh Lynn avisou para espoca de Neal, Carolyn, que a unica forma de Neal não copiar o que ele tinha feito na vida passada, era ele parar de usar drogas. Mas Neal foi preso em San Quentin onde passou 2 anos.
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Depois de anos de abuso de drogas, a mente de Neal começou a retroceder, as vezes tinha lapsos de não lembrar de nada. Depois de varios experimentos com drogas na tentativa de cura, Neal, Kesey e alguns amigos foram par ao Mexico (1966). Neal estava com 42 anos de idade, aparentando um velho de 60 que só conseguia falar dele mesmo.

Em fevereiro de 1968, ainda no Mexico, Neal depois de ter ido a um casamento, teve a ideia de voltar andando 15 milhas de San Miguel a Celaya, pra buscar uma “bolsa magica” e que seria interessante saber a quantidade de trilhos que teriam entre as duas cidades. Estava chuvendo e fazendo muito frio, Neal usava apenas uma camisa e uma calça jeans. Havia consumido uma grande quantidade de alcool e Seconals (vide. Hendrix e Joplin).

Na manhã seguinte um grupo de indios encontrou Neal deitado perto dos trilhos, em coma, quase 2 quilometros de San Miguel, foi levado para o hospital onde morreu 4 dias depois do seu aniversario. Foi cremado e suas cinzas foram entregues a Carolyn.
the_first_thirdA autobiografia de Neal; The First Third, O Primeiro Terço, foi lançado em 1971, três anos apos sua morte. Algumas cartas que foram publicadas quando estava na cadeia foram lançadas pela Blast em 1993 como “Grace Beats Karma: Letters from Prison”. E cartas que foram conseguidas ser resgatas com o passar dos anos foi lançada em 2007 pela Penquin (editora que lança a maioria dos livros beats nos estados unidos atualmente) com o titulo “Neal Cassady: Collected Letters, 1944-1967″.

“Art is good when it springs from necessity. This kind of origin is the guarantee of its value; there is no other.” – Neal Cassady

Um trecho do “acid test” de Tom Wolf, onde foi gravado um monologo de Neal conhecido como “raps”.

“…The Embryo you know
goes thru the Fish Stage
but we didn’t enter
until Ape Late.
Christ-Adam-Higher Soul
help us out thru
so the Cyclopses don’t win
the Unicorn Brew.
We’re here to Experience…
and finally Evolution
the Little Toe
we’ll beat it tho-
The Odor of Sanctity…”


Neal passou um tempo tambem com a banda The Grateful Dead, onde foi imortalizado na musica “The Othe One” como motorista do onibus, citado como “Cowboy Neal”. Um grupo folk nova iorquino que se chamava “Aztec Two Step” lançou em 1972 seu primeiro album em memoria a Neal com a musica “The Persecution & Restoration of Dean Moriarty (On The Road)”.

Em 1989 uma banda inspirada na cultura beat; Washington Squares, lançou o album “Fair and Square” que contia uma faixa que se chamava “Neal Cassady”. The Doobie Brothers tem uma musica que chama “Neal’s Fandango”, que conta sobre o incentivo de cair na estrada.
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TIMELINE
1926 Neal Cassady nasce em Salt Lake City, Utah.
1932 Vai viver com seu pai em Denver.
1946 Se muda para New York com primeira esposa LuAnne, conhece Kerouac e Ginsberg
1947 Neal começa a ter relacionamento com Carolyn Cassady e Allen Ginsberg
1948 Kerouac inventa o termo Beat Generation com seu amigo John Clellon Holmes.
1948 Neal casa com sua segunda espoca Carolyn Robinson, no qual teve três filhos – Cathleen, Jami, e John Allen.
1950 Neal casa com a modelo Diana Hansen, ainda casado com Carolyn.
1953 Neal acha a copia de Many Mansions, livro sobre Edgar Cayce.
1954 Carolyn pega Ginsberg e Neal na cama.
1955 Ginsberg lança O Ouivo (Howl)
1955 Natalie Jackson apaixonado por Neal, comete suicidio cortando a propria garganta
1957 “On The Road” de Kerouac é publicado.
1958 Neal é preso por porte de drogas, é mandado pra Vacaville, depois San Quentin.
1962 Ken Kesey conhece Neal Cassady em Palo Alto, CA.
1962 Neal Cassady conhece e se envolve com Ann Murphy.
1964 The Merry Pranksters começa a gravar Neal’s “raps”.
1968 Neal Cassady morre no Mexico, 4 dias depois do seu aniversario de 43 anos. (4 Fev)

23 de ago de 2012

??? quem gostou ????????????

Suas palavras doces nos momentos certos transformam meu dia num filme de Jean-Pierre Jeunet...discutimos como Roszak e Suassuna madrugada adentro...
até programas de TV viram rimas e declarações em nossas habilidosas conexões.
Carroll embarca em nosso pêndulo e juntos produzimos um chá inebriante e vaporoso de ambrosia...e como no livro dos prazeres até o chapeleiro louco quer ficar mais um pouco.
 Até Nietzsche e Kierkegaard entram em consenso ao sentir nossas cálidas mãos na fluidez do devir que num eterno retorno se solidifica.
Tantas articulações e sinapses surgem simultaneamente... de tal forma que é impossível para Eco, Bechara e Sacks mensurar os novos sentidos produzidos.
Nos trópicos de nossos signos Miller consegue se desnortear a ponto de adentrar sobre as metáforas de Augusto dos Anjos somente para descobrir a névoa que percorre os subterrâneos de nossas mentes.
Hall, Bauman e Said dissertam sobre o esboroamento das fronteiras de nossos sentimentos que se mesclam e se completam como numa música de Tiersen...nos fazendo levitar e transcender como num filme de Woody Allen...nos fazendo recriar como Tarantino...e sonhar como GeorgesMéliès... by: Euqisp!!

22 de ago de 2012

OUR DAY WILL COME!!


Our Day Will Come

Our day will come (our day will come)
And we'll have everything
We'll share the joy
Falling in love can bring

No one can tell me that I'm too young to know
I love you so
And you love me

Our day will come (our day will come)
If we just wait a while
No tears for us
Think love and wear a smile

Our dreams are magic because
We'll always stay in love this way
Our day will come
(our day will come, our day will come)

Our dreams are magic because
We'll always stay in love this way
Our day will come
(our day will come, our day will come)

Our day will come (our day will come, our day will come)
Our day will come (our day will come, our day will come)
Our day will come (our day will come, our day will come)
Our day will come (our day will come, our day will come)



21 de ago de 2012

‘Viver é como desenhar sem borracha’



O menino Vinicius Nascimento e João Miguel contracenam em “À beira do caminho”
Foto: Camilla Maia / Agência O Globo
O menino Vinicius Nascimento e João Miguel contracenam em “À beira do caminho” 
Aos 17 anos, Breno Silveira sofreu uma desilusão amorosa tão intensa que o conselho do pai para que pegasse sua (do pai) moto e fosse se divertir em Ipanema acabou na primeira curva da Urca, onde moravam, com o adolescente esborrachado no chão. Foi ali, com Breno “todo ralado, triste, mais ferrado ainda”, que o arquiteto Cydno lhe deu uma fita cassete que havia gravado, com dez músicas de Roberto Carlos, e o conselho: “É para você saber que todo mundo sofre.”

O filho, hoje com 48 anos, nunca mais deixou de ouvir Roberto. Ao som do Rei, viveu momentos amorosos, dramáticos, até engraçados, mas sempre emocionantes — como quando voltou da França, depois de dois anos de estudos, e ao chegar em casa as caixas de som na varanda ecoavam para toda a rua os versos de “O portão”. A partir desta sexta-feira, quando “À beira do caminho”, seu terceiro filme, estreia em 200 salas do país após se consagrar na última edição do Cine PE, em maio, com seis prêmios, entre eles de melhor filme pelos júris oficial e popular, a paixão do cineasta será dividida com, esperam os produtores, pelo menos 1 milhão de espectadores, podendo chegar a mais. Convém não subestimar a capacidade do diretor de “2 filhos de Francisco” (2005), visto por 5,3 milhões de pessoas, de falar fundo no peito dos brasileiros.

— O meu filme é como uma canção de Roberto. Elas são simples, singelas nas letras, mas ao mesmo tempo profundas e cortantes. O “Beira” é isso. Ele consegue ser simples na história, singelo na forma, mas pega profundamente as pessoas, corta, dói — diz Breno.

‘Viver é como desenhar sem borracha’

A fala acima, provavelmente, foi construída nas várias sessões fechadas do longa, nas quais Breno pôde conferir o efeito “tantas emoções” provocado pela viagem, roteirizada por Patrícia Andrade, do caminhoneiro João (João Miguel, em atuação devastadora) e do menino Duda (o tocante Vinicius Nascimento). A trama, que fala de perdas, mas principalmente de amor e de redenção, comoveu o público formado por grupos de pesquisa, jornalistas, amigos, e de forma especial, aqueles que acompanharam a dor causada pela morte, durante o processo de edição, da mulher do diretor, Renata Magalhães da Silveira, a quem o filme é dedicado. Breno, nas últimas semanas, lutou arduamente contra a exploração desse fato pela imprensa, e se decepciona com os artigos que exploram sua dor, fazendo um paralelo entre o seu sofrimento e o do personagem João.

— Meu filme não é uma tragédia, não é pesado. É a história de um homem reaprendendo a amar. Mostra que nunca é tarde para revisitar suas dores e entendê-las — diz.

E tem razão. Quando se encontram, João e Duda estão em busca, cada um, de desembaralhar a sua própria história: o primeiro, brutalizado por um acontecimento do passado que aos poucos vai sendo revelado ao espectador; o segundo, sozinho após a morte da mãe, procura esperançosamente o pai, que nunca conheceu. Vinicius, falante e, apesar das circunstâncias, de bem com a vida, impõe ao calado e pouco amistoso João uma carona. De Juazeiro a São Paulo, a paisagem do Brasil, tão cara a Breno, aqui fotografada por Lula Carvalho, funciona no filme como uma “metáfora da alma de João” — no início o personagem é seco, árido, depois leva um banho de rio do companheiro indesejado, e aos poucos os lugares começam a se tornar verdes. No fim, observa o diretor, “o cara que não queria ver ninguém, nenhum ser humano, acaba em São Paulo, a cidade mais populosa do país”.

O trajeto, em que João encontra ainda a ex-namorada Rosa (Dira Paes) e os personagens de Denise Weinberg e Angelo Antônio, em pequenas e marcantes participações, é pontuado por frases de para-choques de caminhão, como que demarcando capítulos: “Viver é como desenhar sem borracha”, “Não há mal que perdure, nem dor que não se cure”, entre outras, sintetizam estados de espíritos do personagem. “Espere o melhor, prepare-se para o pior, aceite o que vier” foi escolha de Breno para fechar a obra, quando, para conforto do espectador, há redenção.

— Esta frase fui eu que fiz questão de pôr ali, porque fazia sentido para mim — diz ele, um cara assumidamente emotivo, desbragadamente apaixonado pelas coisas brasileiras e por pessoas simples, e que nunca temeu ser chamado de “sentimental demais”. — Há uma linha muito tênue entre o piegas, o clichê, e o que tem verdade, sentimento. É nessa corda bamba que eu gosto de andar.

Dando o tom de tudo, as canções de Roberto. Foram elas o mote do argumento da jornalista Léa Penteado, que teve a ideia depois de ver, num posto de gasolina de estrada, um caminhoneiro comendo sozinho na cabine enquanto ouvia, em alto volume, um CD do cantor.

Breno estava tocando a produção de “Gonzaga — De pai para filho”, um épico gigantesco, quando, como ele diz, chegou o “vento fresco do ‘Beira’”, um filme de produção mais leve, com poucos atores e equipe enxuta. Escolhidos João Miguel — com facilidade, na primeira leitura — e Vinicius — com certo sofrimento, mas ótimo resultado, depois de testes com 500 meninos — tudo andou rápido, inclusive as três viagens em que percorreu o trajeto do personagem João, de Juazeiro a São Paulo, acompanhado do produtor Tim Maia, para escolher locações. Neste, como em seus outros três filmes (entre “2 filhos de Francisco” e “À beira do caminho” lançou em 2008 “Era uma vez...”, com 500 mil espectadores, e estreia, ainda este ano, “Gonzaga”, um blockbuster anunciado), não há cenas de estúdio, só locações.

— Sempre tem uma pedrinha no caminho que dá para entrar — diz.

Voltando a Roberto: o processo foi tão rápido que Breno começou a filmar sem a autorização do artista. Àquela altura, a conselho de Léa, decidiu que era melhor esperar que o filme ficasse pronto para mostrar ao Rei. Foi com humildade que lhe entregou uma fita, conseguindo permissão para usar quatro músicas. No filme, entram, na voz de Roberto, “O portão”, “Outra vez”, “Como vai você” e “A distância”, sugestão do próprio cantor. Também estão lá “Nossa canção”, com Vanessa da Matta, e “Esqueça”, por Nina Becker. Vinicius ainda cantarola “Amigo”, e João Miguel, novamente “Nossa canção”. O ator, aliás, confessou ao diretor nunca ter chorado tanto enquanto fazia um filme.

— Afinal, quem não sofreu e não amou escutando Roberto? — pergunta Breno.

Ele próprio, como se viu no início deste texto, sofreu a ponto de se autossabotar sobre a moto do pai. Aqui, já no fim, é necessário dizer que aprendeu a lição. Superado o trauma da juventude, amou e amadureceu embalado pelas canções do Rei. Por isso a homenagem do filme à mãe de suas filhas, Olivia, de 18 anos, e Valentina, 16. Foi com Renata que, durante 25 anos, Breno ouviu e se emocionou com Roberto Carlos.

20 de ago de 2012

branquelo maluco!!!

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Albums

Singles

Videos

  • 1993 "Busted Loop" - Yaggfu Front (cameo)
  • 1994 "BloodShed Hua Hoo" - Crustified Dibbs (Directed by Frank Henenlotter)
  • 2000 "I Should'a Never" - R.A. the Rugged Man (Directed by Frank Henenlotter as Francois Pinky)
  • 2001 "Bottom Feeders" - Smut Peddlers feat. R.A. the Rugged Man (Directed by R.A. the Rugged Man)
  • 2004 "Old Man" - Masta Killa feat. Rza & ODB (cameo)
  • 2005 "Lessons' (Directed by Frank Henenlotter as Fancoius Pinky)
  • 2006 "Throw the Ball" - Sadat X - (cameo)
  • 2007 "Renaissance 2.0" - Hell Razah feat. Tragedy Khadafi, Timbo King & R.A. the Rugged Man
  • 2007 "I'm the Boss" - Havoc of Mobb Deep (cameo)
  • 2009 "Legendary Classics" - R.A. the Rugged Man (directed by Clay Patrick McBride)
  • 2009 "Posse Cut" - R.A. the Rugged Man feat. Hell Razah, Remedy and Blaq Poet
  • 2010 "Uncommon Valor" - Jedi Mind Tricks feat. R.A. the Rugged Man
  • 2010 "Mad Ammo" - Celph Titled & Buckwild feat. FT and R.A. the Rugged Man (written & produced by R.A. the Rugged Man
  • 2010 "Nosebleed" - Vinnie Paz feat R.A. the Rugged Man
  • 2011 "A Star is Born" - R.A. the Rugged Man (Written & Produced by R.A. the Rugged Man)
  • 2011 "Body the Beat" - Maticulous featuring Ruste Juxx, R.A. the Rugged Man & Rockness Monstah of Heltah Skeltah
  • 2011 "Crazy Man" - Block McCloud feat. Celph Titled and R.A. the Rugged Man
  •  
  •  
  • 2011 "High Ranking" - Timbo King feat. R.A. the Rugged Man (Directed by Ethan Blum, Jed I Rosenberg and R.A. the Rugged Man)
  • 2012 "No Prints" - Ruste Juxx & Kyo Itachi feat. R.A. the Rugged Man
  • 2012 "Return of the Renaissance" - Heaven Razah feat. R.A. the Rugged Man
  • 2012 "Procrastinatin" - Nova Rockafeller and Ruste Juxx (cameo and Edited by R.A. the Rugged Man)
  • 2012 "Open Relationship" - Psalm One feat. R.A. the Rugged Man (Written and Directed by R.A. the Rugged Man)
  • 2012 "Driving me Insane" - Talib Kweli and Res (singer) as Idle Warship (Written, Edited and Directed by R.A. the Rugged Man)

18 de ago de 2012

OS NEGROS !!!!


OS NEGROS NAS TELENOVELAS

O Brasil é um país plural, com uma população formada por várias raças e etnias. País construído por colonizadores europeus, nativos indígenas e negros africanos em sua essência.

A presença dos negros nas telenovelas brasileiras, o maior veículo de comunicação de público do país, apesar de ter avançado nos últimos anos, ainda é tímida e muitas vezes feita de uma forma negativa e presa ao estereótipo.

Apesar de ser um país de grandes atores negros, que desfilaram ou desfilam pelas décadas da dramaturgia brasileira, como , Ruth de Souza, Lázaro Ramos, Milton Gonçalves, Isaura Bruno, Taís Araújo, Chica Xavier, Neuza Borges, Jacira Silva, Zezé Motta, Cléa Simões, Zózimo Bulbul, Lea Garcia e tantos outros; os negros vêm sendo ignorados há décadas pelas telenovelas.

Desde a primeira levada ao ar em 1963, este veículo tornou-se o condutor que moldou comportamentos, opiniões, criando ou derrubando preconceitos. A linguagem da telenovela reprimiu por muitos anos a imagem da verdadeira face do Brasil, fazendo dele um país de falsa identidade branca, negando a sua história e cultura.

A televisão foi, e ainda o é (apesar de hoje em dia sofrer mais críticas e render-se às evidências da pluralidade) a maior propagandista e difusora dos conceitos do branqueamento da população brasileira, iniciada ainda no Brasil colônia.

Se hoje uma telenovela de horário nobre da poderosa TV Globo insere em suas tramas o amor entre raças, e o público, já moldado para aceitar a verdadeira identidade do país, aceita as personagens, nem sempre foi assim. Já houve tempo em que a rejeição ao amor entre um casal de cor branca e negra atingiu a total intolerância. A presença do negro na ficção da teledramaturgia era visível apenas em pequenas tramas paralelas às principais.


De Mamãe Dolores (Isaura Bruno) a Xica da Silva (Taís Araújo), do Rodney de Zózimo Bulbul em “Vidas em Conflito” (1969) ao Foguinho de Lázaro Ramos em “Cobras & Lagartos” (2006), o espaço do negro nas telenovelas vem sendo conquistado com perseverança à discriminação. Um longo e árduo caminho foi percorrido pela constelação de grandes talentos negros, até que se deslumbrasse como protagonistas de algumas telenovelas.























O Branqueamento Histórico da População Brasileira

A presença negra na formação do Brasil veio através dos grupos étnicos africanos capturados em suas tribos e feitos escravos nas terras da colônia. Desde então negros, brancos e índios misturaram-se, construindo uma população miscigenada com maioria visível de negros.

O impacto da presença negra na população do Brasil sempre foi motivo de preocupação entre os colonizadores, que temiam uma rebelião da raça contra a minoria branca.

Em 1609, para aumentar a população branca do Brasil, o rei Filipe II de Portugal (III da Espanha), proibiu a fundação de conventos no Brasil, para que os brancos europeus que migravam à colônia não fossem somente padres e missionários sem compromissos com a procriação.

O medo de uma rebelião negra aumentou drasticamente em 1804, quando os escravos nativos de Hispaniola, no mar do Caribe, tomaram a parte ocidental da ilha e declararam a independência do Haiti, abolindo a escravidão. Muitos receavam que se sucedesse o mesmo no Brasil, e antes que acontecesse, foi iniciado um branqueamento da população brasileira durante o primeiro e o segundo impérios.

Esta medida culminou com o incentivo do governo em trazer para o Brasil o imigrante europeu. Derrubadas as últimas fronteiras de disputa com a Espanha, o sul do Brasil passou a ser colonizado por imigrantes europeus, fazendo parte do processo político de branqueamento da população brasileira. Este conceito ultrapassou o Brasil imperial, não se esvaiu com a abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888.

No século XX, já com o poder da mídia como fonte de propaganda de uma nação, a partir dos anos sessenta, a televisão tornou-se o principal veículo desta propaganda. A telenovela é o produto de comunicação mais consumido pela população. Tornou-se tão poderosa, que dita a moda e os modismos, os conceitos sociais e políticos e a forma linear de difusão de pensamentos de uma nação.

Se a telenovela dominou o Brasil com a sua linguagem, estes domínios atravessaram as fronteiras, atingindo outros países. O sucesso das exportações das telenovelas para o exterior fez com que se pensasse nela como um cartão postal, trazendo um conceito de imagem da geografia humana do Brasil idealizado por uma falsa identidade.

Tanto que se discute em Portugal, na Itália, Espanha, China, e outros países para onde a telenovela brasileira foi exportada e tornou-se grande sucesso de consumo, se no Brasil afinal não há negros. Sim, esta pergunta foi feita nos outros países, porque na telenovela brasileira a presença do negro era quase decorativa, quase exótica, como se raro fosse no cotidiano desta imensa nação.

O Negro nas Primeiras Telenovelas Brasileiras

Uma das primeiras telenovelas a ter muitos negros em seu elenco foi “A Gata”, novela de Ivani Ribeiro que estreou em 1964, na extinta TV Tupi. O tema da telenovela não era dos problemas do negro brasileiro, mas os dos escravos das Antilhas do início do século XIX .

A trama girava em volta de uma senhora branca, Adriana (Marisa Woodward), chamada de Gata. O fracasso diante do público levou os patrocinadores a uma pesquisa para saber os motivos. Um deles era o excesso de escravos da trama. Para solucionar o problema, a autora fez com que uma epidemia na senzala matasse mais da metade dos escravos. Apesar de um grande número de atores negros, nenhum deles teve o nome creditado junto ao restante do elenco branco da telenovela.

Ainda em 1964, estreou na TV Tupi, “O Direito de Nascer”, primeira telenovela de grande sucesso no Brasil. O folhetim era uma adaptação de Talma de Oliveira e Teixeira Filho ao texto original do cubano Félix Caignet.


Curiosidades: "El derecho de nacer" é originalmente uma radionovela cubana escrita por Felix B. Caignet, na década de 40.

A história da negra Dolores (Isaura Bruno) comoveu o Brasil. Empregada de uma abastarda e poderosa família, que ao ver Maria Helena (Nathália Timberg), a filha do patrão, engravidar e ter que, por imposição do preconceito por ser mãe solteira, abandonar o filho, tomou para os seus cuidados esta criança, criando-a como filho. Mamãe Dolores e o seu filho adotivo Albertinho Limonta (Hamilton Fernandes) levaram o Brasil às lágrimas. Isaura Bruno tornou-se a primeira atriz negra a fazer grande sucesso diante do público.

Com ela inicia-se a imagem benevolente da mãe preta gorda, de colo amplo para acolher os filhos, que se encaixaria em outras atrizes negras, como Cléa Simões, que seria a Mamãe Dolores da versão de 1978 da novela; Zeny Pereira e Jacira Sampaio, a eterna Tia Anastácia do seriado “Sítio do Picapau Amarelo”. Mas o grande sucesso de Isaura Bruno foi logo esquecido devido à inexistência de papéis à altura do seu talento e carisma, sempre interpretando pequenos papéis subalternos até a sua morte.

Um momento raro da história do negro na televisão brasileira nos incipientes anos sessenta aconteceu na telenovela “A Cor da Pele”, de Walter George Durst, que estreou na TV Tupi em 1965. Apesar da sua obscuridade como registro, foi a primeira novela a propor falar sobre o preconceito racial.

A história de amor entre a mulata de olhos verdes Clotilde (Yolanda Braga), e o português Dudu (Leonardo Villar), trouxe para a pequena tela o primeiro beijo inter-racial da sua história. Yolanda Braga foi a primeira protagonista negra de uma telenovela brasileira.

O ano de 1969 marcaria de formas diferentes, a história dos negros nas telenovelas. Três produções, duas na extinta TV Excelsior – “Vidas em Conflito” e “Os Estranhos” - e uma na TV Globo – “A Cabana do Pai Tomás” -, assinalam uma página bizarra na presença dos atores negros.

“Vidas em Conflito”, de Teixeira Filho, traz pela primeira vez à telenovela uma família de classe média negra. Zózimo Bulbul viveu o primeiro protagonista negro da televisão. A história seria válida não fosse construída sobre uma sinopse racista, Débora (Leila Diniz) apaixona-se por Walter (Paulo Goulart), homem que a sua mãe Cláudia (Nathália Timberg) ama, por vingança, ela começa a namorar o negro Rodney (Zózimo Bulbul).

A idéia de vingança revela a agressão que era uma mulher branca namorar um negro, eliminando da trama o convite à reflexão contra o racismo, sem nunca deixar de evidenciá-lo.

“Os Estranhos”, de Ivani Ribeiro, aconteceu no momento histórico em que o homem pisava na lua, daí a imaginação da autora estar voltada para os extraterrestres. A novela era protagonizada por Regina Duarte, Rosamaria Murtinho, Cláudio Correa e Castro, seres que vinham do planeta Gama Y-12, e por Pelé.

A presença inesperada do rei do futebol brasileiro, à época no auge da sua carreira , como protagonista de uma telenovela, não contribuiu em nada para a presença do ator negro no gênero. Na trama estava uma celebridade, não um ator.

Pelé vivia Plínio Pompeu, escritor rico e dono de uma ilha, que se deparava com os extraterrestres. A personagem tinha pouco texto e em nenhum momento teve um envolvimento amoroso dentro da trama. Apesar de protagonista, tornou-se meramente decorativo. Caso o papel de Plínio tivesse sido entregue a um ator de verdade, a dimensão do crescimento e a importância na trama seriam diferentes.

“A Cabana do Pai Tomás”, escrita por Hedy Maia, Péricles Leal e Walter Negrão, é o caso mais bizarro e vergonhoso de racismo registrado em uma telenovela. Baseada no romance homônimo de Harriet Beecher Stowe, é a história do escravo Tomás, homem de bom coração, que passa por vários e cruéis senhores de engenhos durante a Guerra da Secessão nos Estados Unidos.

Feita com esmero e dentro de um grande orçamento, a novela foi pensada para ser um grande sucesso épico, mas tornou-se um dos maiores fracassos e de um resultado grotesco. Para viver o protagonista negro Pai Tomás, a subsidiária norte-americana da Colgate-Palmolive no Brasil, que patrocinava as telenovelas da época, exigiu que o papel fosse vivido pelo ator branco Sérgio Cardoso.

O absurdo obrigou Sérgio Cardoso a pintar o corpo com uma tinta negra, usar peruca e rolhas no nariz. A novela estreou sob os tumultos de aclamados protestos, um movimento liderado pelo jornalista e dramaturgo Plínio Marcos, em sua coluna diária no jornal “Última Hora”, achava que o personagem deveria ser interpretado pelo ator Milton Gonçalves. Tudo em vão.

A novela foi um fiasco em seus 205 capítulos. Mesmo de cunho racista, “A Cabana do Pai Tomás” teve o maior elenco negro até então.

Subalternos e Escravos

Nos anos setenta a telenovela deixava os dramalhões de época, as histórias que dantes se passavam nas Antilhas, nos desertos árabes, no sul dos EUA, são transportadas para o cotidiano brasileiro, mostrando as praias cariocas, os subúrbios paulistanos. A telenovela torna-se uma espécie de retrato da urbanidade nacional, ou, em raras exceções, do ruralismo além do litoral. Nesta nova composição do gênero, o negro é esquecido.

O ator Antonio Pitanga desabafaria mais tarde, que na época as personagens das tramas noveleiras sequer tinham um vizinho negro. O negro passava a figurar em tramas paralelas, a viver personagens subalternas.

Zezé Motta conta que ao fazer um curso de interpretação, foi abordada por alguém que lhe questionou o porquê de tanto preparo se iria fazer só papel de empregada nas novelas. Diante dessa dura realidade, a atriz deixou de fazer telenovelas por muitos anos, recusando-se ser a eterna serviçal das tramas televisivas.

Na industrialização das telenovelas, os negros tiveram que gritar e protestar por papéis mais importantes, mas nem sempre o grito ecoava diante do preconceito. Temáticas de racismo eram retratadas timidamente, como em “Verão Vermelho”, novela de Dias Gomes, estreada na TV Globo em 1970.

Na trama Geralda (Lúcia Alves), jovem de cor branca, esconde a mãe negra Clementina (Ruth de Souza). Em 1971 Janete Clair cria a personagem de Otto von Muller (Jardel Filho), um dos protagonistas de “O Homem Que Deve Morrer”, um vilão racista que é salvo da morte ao receber em transplante o coração de um negro.

Zeny Pereira interpreta Conceição, mãe do negro que doou o coração a Otto. Para que ele não se esqueça, ela anda com o coração inutilizado dentro de um vidro, lembrando-lhe que o que bate em seu peito é o de um negro.

Em “O Rebu” (1974), de Bráulio Pedroso, a desequilibrada Lupe (Tereza Rachel), mulher rica e frágil, tem no final da novela a proteção e o amor do negro Astorige (Haroldo de Oliveira). Milton Gonçalves que interpretaria um padre na versão proibida pela censura de “Roque Santeiro” (1975), pediu para Janete Clair uma personagem que pudesse usar gravata.

Para presenteá-lo a autora criou o doutor Percival de “Pecado Capital” (1975), um psiquiatra negro formado em Havard. Quando “Roque Santeiro” foi levada ao ar em 1985, o padre negro embranqueceu, sendo interpretado por Paulo Gracindo.

Na segunda metade da década de setenta a Globo começa a adaptar vários clássicos da literatura brasileira. “Gabriela” (1975), novela de Walter George Durst extraída das páginas de Jorge Amado, teve várias pretendentes ao papel, entre elas duas atrizes negras, Zezé Motta e Vera Manhãs, esta última na época casada com o ator Antonio Pitanga, mãe dos atores Rocco e Camila Pitanga. A emissora preferiu escurecer a pele de Sonia Braga, transformando-a na mulata Gabriela.

Outras adaptações da literatura geraram as personagens dos escravos. Durante muito tempo o negro viveu o escravo das novelas das 18 horas da TV Globo. Entre as novelas estavam “A Moreninha” (1975), “Escrava Isaura” (1976), “Sinhazinha Flô” (1977) e “Memórias de Amor” (1979).

“Escrava Isaura”, adaptação de Gilberto Braga da obra de Bernardo Guimarães, é sem dúvida um dos marcos do racismo velado, mas tenaz, que paira na cultura brasileira. Tanto o romance, como a novela, consegue ser o registro literário mais racista feito no Brasil.

Nele o problema da escravidão não reflete a injustiça contra a raça negra, mas a uma infeliz mulher de pele branca que teve a pouca sorte de nascer escrava. Na novela Isaura (Lucélia Santos) é perseguida e maltratada por Leôncio (Rubens de Falco).

Várias vezes ela era ameaçada de ser açoitada no tronco, quando isto acontecia, o público ficava arrepiado, indignado. Os açoites à Isaura não passavam de ameaças, enquanto que os escravos negros da novela eram açoitados e não havia a comoção do público, afinal a lógica dizia aos telespectadores que os negros eram naturalmente escravos, não havia injustiça ou injustiçados, mas Isaura era branca, uma verdadeira iniqüidade ela ser escrava.

Rejeição do Público aos Amores Entre Raças

Nos anos oitenta movimentos em defesa do negro começam a ganhar força e a exigir uma maior presença dentro da teledramaturgia. Afinal é a década do centenário da Abolição, é preciso que o negro saia da senzala e das cozinhas dos patrões brancos, que se torne vizinho do branco, colega de escola.

É preciso acreditar que em 100 anos do fim da escravidão no país, o negro faça parte da identidade nacional, ou da identidade vendida pelas telenovelas no exterior e apresentada para o público no Brasil.
Janete Clair foi confrontada em um programa de rádio em 1980, do porquê de não ter atores negros em papéis que não fossem de subalternos em suas novelas, ou que tivessem uma maior importância.

A autora respondeu que nunca havia parado para pensar no assunto, e prometeu criar melhores papéis para os negros. Realmente ela amplia um pouco esta participação em suas tramas, “Coração Alado” (1980) e “Sétimo Sentido” (1982) refletiram um pouco a promessa, com papéis mais destacados criados para Jacira Silva e Ruth de Souza.

Em 1984 Gilberto Braga decidiu ousar um pouco mais, abordando o preconceito racial em “Corpo a Corpo”, criando o amor inter-racial entre Cláudio (Marcos Paulo) e Sônia (Zezé Motta). O público rejeitou o romance. Marcos Paulo chegou a ser indagado se estava a precisar de dinheiro para aceitar a beijar uma negra. Também Zezé Motta foi hostilizada pelo preconceito do público. Curiosamente, os atores tinham vivido um romance na vida real anos antes.

“Sinhá Moça”, adaptação de Benedito Ruy Barbosa da obra homônima de Maria Dezonne Pacheco Fernandes, trazia um herói mascarado branco Rodolfo (Marcos Paulo na versão de 1986 e Danton Mello na de 2006), que libertava os negros do cativeiro, transportando-os para os quilombos.

A Abolição era tratada como pano de fundo no romance de Maria Dezonne Pacheco Fernandes, mas que Benedito Ruy Barbosa deu ênfase, transformando a novela em um grande sucesso. Tony Tornado teve um bom momento na televisão como o Capitão do Mato. A segunda versão de “Sinhá Moça”, vinte anos depois da primeira, foi vista com outros olhos pelos movimentos negros do Brasil.

Um inquérito civil foi instalado contra a novela, acusada de deturpar a história da escravidão no Brasil e de prejudicar a auto-estima da população negra. Um promotor do Ministério Público da Bahia acusou Benedito Ruy Barbosa de mostrar o negro como apático, passivo, que precisava de heróis brancos para libertá-lo.

“Roque Santeiro”, novela de Dias Gomes, censurada em 1975, foi finalmente ao ar em 1985, com co-autoria de Agnaldo Silva. Tony Tornado, viveu Rodésio, o fiel capataz da viúva Porcina (Regina Duarte), o ator revelaria mais tarde que foram gravados três finais diferentes para a telenovela, cada um deles dando destinos distintos à fogosa viúva, em um dos finais ela terminaria com Roque (José Wilker), em outro com Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e em um terceiro, terminaria com Rodésio.

A emissora divulgou apenas os dois primeiros finais, segundo Tony Tornado, por temer que a reação do público fosse negativa diante de um possível final de Porcina com um negro.

Várias obras de Jorge Amado foram adaptadas para as telenovelas, e todas às vezes que se sucederam as adaptações, o universo da Bahia negra de Jorge Amado quase que desapareceu. Além de “Gabriela”, quase não havia negros nas novelas “Terras do Sem Fim” (1981), “Tieta” (1989) e “Porto dos Milagres” (2001). Imperdoável o branqueamento dado pela Globo à Bahia de Jorge Amado.

Maior Integração e Participação nas Novelas Atuais

A década de noventa trouxe mudanças ao conceito da imagem do brasileiro retratada pela teledramaturgia. O negro passou a ter mais espaço, saindo da submissão ao homem branco para uma classe média mais próxima da realidade. Esta mudança pequena, mas significativa, passou a ser feita de forma irreversível e contínua, já não se podia negar a identidade negra no universo teledramático.

“A Próxima Vítima” (1995), de Silvio de Abreu, soprou os ventos da mudança na participação dos negros, que aqui teve um núcleo sólido, retratando uma família de classe média encabeçada por Fátima (Zezé Motta), o marido Cleber (Antonio Pitanga) e os filhos Sidney (Norton Nascimento), Jefferson (Lui Mendes) e Patrícia (Camila Pitanga). Desde então, os eternos papéis de subalternos destinados aos negros não foram extintos, mas deixaram de ser o único retrato apresentado de uma raça.

Em 1996 Walcyr Carrasco, sob o pseudônimo de Adamo Angel, levou para a televisão a personagem histórica de Xica da Silva. Dirigida por Walter Avancini e produzida pela extinta TV Manchete, “Xica da Silva” trazia Taís Araújo como protagonista, sendo um grande sucesso de público. A trama trazia vários personagens negros. Zezé Motta que vivera Xica da Silva no cinema, na telenovela fez o papel de mãe da personagem.

Nos últimos anos, a TV Globo, numa tentativa histórica de redimir-se da segregação negra em suas telenovelas, não por fazer uma autocrítica, mas por pressão das mudanças sociais dos tempos, criou em suas tramas várias personagens negras bem-sucedidas.

Em 2004 lançou a sua primeira telenovela protagonizada por uma atriz negra, “Da Cor do Pecado”, de João Emanuel Carneiro, retratando o amor do milionário Paco (Reynaldo Gianecchini) pela romântica Preta (Taís Araújo). Além de “Da Cor do Pecado”, outras novelas globais trouxeram personagens negros bem-sucedidos, como “Mulheres Apaixonadas” (2003), “Celebridade” (2003), “Páginas da Vida” (2006).

Em 2006 Lázaro Ramos conquistou o público brasileiro ao viver o Foguinho de “Cobras & Lagartos”, tornando-se protagonista absoluto da telenovela de João Emanuel Carneiro, fazendo cenas antológicas ao lado de Marília Pêra e Taís Araújo.

Em 2007 o mesmo Lázaro Ramos viveu em “Duas Caras” o tórrido amor da sua personagem Evilásio pela rica Júlia (Débora Falabella). Ao contrário do que sucedera em “Corpo a Corpo”, de 1984, o romance inter-racial conquistou o público.

Em 2008, Milton Gonçalves voltou às gravatas para interpretar o rico e corrupto político Romildo Rosa de “A Favorita”. Já não precisou pedir ao autor da novela para poder usá-las, como aconteceu na década de setenta.Se hoje há uma maior visibilidade do negro na telenovela, as oscilações continuam conforme sopram os ventos.

No começo da primeira década de 2000, um polêmico projeto de lei do então senador Paulo Paim, obrigava que as emissoras de televisão incluíssem 25% de negros nas telenovelas. Imposição que causou mal estar inclusive entre os atores afro-brasileiros. O racismo não desapareceu da telenovela, a participação dos negros tão pouco alcançou o patamar que reflita o seu real lugar na identidade do Brasil.

Mas perto do que já foi, um longo caminho foi percorrido, alcançado grandes vitórias.
Para isto as mudanças sociais tiveram que ser absorvidas por uma conservadora e preconceituosa sociedade.

E a telenovela tem esta função de mudar preconceitos e moldar opiniões.
Cabe aos autores, diretores e produtores do gênero assumirem este compromisso de querer mostrar a verdadeira face do brasileiro e do Brasil.

POSTADO POR JEOCAZ LEE-MEDDI

16 de ago de 2012

vai perder??


Tirei o boné!

Tirei o boné...
Arrumei os cachos como cachoeira negra que se aninha entre as pedras...
dobrei o casaco puído e a camiseta com peixinho medroso...
Pus o jeans azul de serenidade e uma blusa laranja como que para reavivar meus olhos cansados de percorrer o mesmo rio de lamentos...
deixei meus pés livres e segui rumo à sala escura...
poltronas razoavelmente confortáveis, luz aconchegante a ponto de não me sentir intimidada, palco visível e palpável como que num ensaio de meus futuros cantarolejos...
vendo música, vendo vozes...e sentindo o palpitar de meu peito pulsando e paralisando pensamentos apavorados de pólvora...
Era o segundo dia consecutivo em que o via...
seu olhar já havia me despido e sua boca, sussurrado minha sentença: serás minha para sempre...minha amada, minha querida... com os olhos ele dizia...
esperei com cautela...
as luzes se acenderam e enfim, saímos...
De tantas andanças, o mundo parecia saber o poder que juntos teríamos...e todos exasperados começavam a nos afastar porque a luz que juntos emitimos era (e é) muito forte...
até que enfim, nos beijamos...e nesse beijo imaginei-me no mundo de Verne e Stevenson onde tudo é possível e de tirar o fôlego...
trôpega por alguns segundos...olhei seus olhos e descobri: a parte da minha alma que ainda não tinha visto...a luz dos olhos dele me mostrou...as asas de borboleta que não via em meu casulo escuro...
me entreguei ao Sol...
Pois é, tirei o boné!

15 de ago de 2012

reunião!!


• 87% das reuniões poderiam ter sido resolvidas com um telefonema.
• 71% das reuniões duraram muito mais do que o necessário.
• 58% das reuniões demoraram para engrenar por que alguém resolveu contar uma piada no começo.
• 60% das reuniões me deram um chá de cadeira na sala de espera.
• 47% das reuniões geraram um pedido de orçamento.
• 15% das reuniões geraram um trampo que resultou em pagamento.
• 44% das reuniões tinham mais pessoas do que o necessário.
• 37% das reuniões tinham um sujeito muito ególatra que só dava opinião jumenta pra mostrar serviço.
• 14% das reuniões geraram briguinhas e discordâncias entre os membros.
• 92% das reuniões me ofereceram água e café.
• 90% das reuniões eu recusei água e aceitei o café.
• 3% das reuniões tinham um chocolate ou salgadinho pra comer.
• 18% das reuniões pediram pizza porque demoraram além da conta.

Para quem ama discos de vinil...


São incríveis as inúmeras utilidades que encontramos para coisas que parecem ter apenas uma função. Vejam os discos de vinil que parecem inicialmente apenas uma bela oportunidade de fazer uma decoração com estilo retrô, uma vitrola...e tal...
ouvir aquelas músicas boas, colecionar...enfim, curtir o vinil simplesmente pelo seu conteúdo. 
Mas podemos fazer mais. Vejam só o que encontrei para decorar com muito charme a casa:



















Mãos à obra!!!Reciclando os vinis que não servem para ouvir música...e criando novas artes e craftices!